summerteeth

Sábado, Dezembro 12, 2009

riot in my skull

Yer gonna make me wonder what I'm doing
Staying far behind without you
Yer gonna make me wonder what I'm saying
Yer gonna make me give myself a good talking to.


e daí que eu nunca sei se falei demais ou falei de menos ou se esqueci alguma coisa ou se alguma coisa me esqueceu. E eu sei que eu que te ensinei esse negócio de "there's no real reason" e que eu nem triste de verdade. Eu queria dizer que você partiu meu coração mas depois de quatro horas de sono eu vejo que só partiu umas expectativas e me fez perder umas horas e no fundo eu queria é estar acordando de ressaca com você e dizendo "quando eu saí de casa uma música me disse pra não sair que ia dar tudo errado" e rir da ironia e saber se seu café é tão ruim quanto parece. Você devia ser esperta o suficiente pra saber que quando eu disse que essas coisas não tem razão nem sentido eu estava falando sobre os outros e não sobre nós dois. A verdade é que sempre tem uma razão, você só não tem coragem de falar aí deixa alguém com um "não, porque sim" que é como deixar alguém com um clipes de papel e se vira aí pra desmontar essa bomba sem fazer sujeira. Aí você diz que "se for só isso agora você vai me ignorar" o que é uma coisa bem egoísta e babaca de se dizer e eu acho até bom que aí eu vou ter um bom motivo pra não gostar de você direito e não precisar te convidar pra cá pra provar que eu sou forte e nem ligo. Na verdade eu nem ligo e estou até feliz que por algumas horas as canções tristes vão fazer sentido do jeito que nunca fizeram antes e muitos amigos vão ficar felizes de dizer que avisaram e que todas são iguais e alguém bem mais esperto que eu disse "elas não se incomodam em tomar a atitude mais ilógica do mundo parece quase que por simples PRAZER de te ver PUTO e PERDIDO" e eu não soube se era sobre cancerianas ou se era sobre todas as mulheres do mundo mas mesmo assim achei muito engraçado. No fim o que sobrou foi isso, um punhado de músicas que eu vou ter raiva quando ouvir no rádio, os poucos livros que eu li não dizem nada sobre você e eu não vou dizer as previsões que você já sabe sobre seu futuro. No fundo era tudo bem prevísivel mas eu guardo um certo prazer em me enganar ainda, quando você entende um pouco das coisas você aprende que sem se enganar você não levanta nem da cama. A única coisa surpreendente é que eu sou sempre o que puxa o gatilho e talvez eu tenha encontrado alguém mais rápido e histérico que eu e é um risco que se corre depois de encontrar tantas pessoas. Sobrou um monte de palavras e pouca ação e uns planos de ver não sei o que não sei aonde que não vão fazer muita diferença. No fundo isso nem é sobre você, no fundo é sobre a segunda pessoa que você poderia ter sido pra substituir a única pessoa que vai ler isso e vai achar graça de ainda ter essa gravidade de buraco negro afetando as coisas e trazendo o azar igual um gato traz um pássaro morto na boca e não entende bem a comoção ao redor. De um jeito ou de outro, a única certeza é que você acaba voltando toda vez que eu espalho essas letras por aqui. Não volte.

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Mas eu te espero
porque o grito dos teus olhos
é mais
longo que o braço da floresta
e aparece atrás
dos montes, dos ventos
e dos edifícios
e o brilho do teu riso
é mais
quente que o sol do meio-dia
e mais e mais e...

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

just when i thought i got over you, a song book brought you back to my life all over again

Sexta-feira, Junho 05, 2009

my beloved monster

And all together it went well
We made pretend we were best friends
Then she said, "Oh, I can wait"
They ordered me to make mistakes
Together again like the beginning
It all works somehow in the end
The things we did, the things you hide
And for the record, it's between you and I



você nunca vai entender porque você nunca descobriu que cada pessoa tem uma vida que continua seguindo independente da sua. Pra você as pessoas vão continuar sendo coisas que você vai tentar usar pra tapar esse buraco negro imenso de estimação que você tem por dentro e que não para de crescer. Logo você vai precisar de mais pessoas e cada vez mais rápido e eu não quero estar por perto pra ver. Eu sempre quis acreditar que sua liberdade era bonita, mas infelizmente ela não tem nada de liberdade, é só um andar por aí sem rumo e sem alma. Então eu desisti, e não digo que as coisas estão boas, mas que eu estou bem, que eu mudei, que eu esqueci. Até o dia que eu resolver olhar os pedaços que ficaram faltando e ver que eles já estão todos lá de novo e eu estou pronto para novos acidentes e mal-entendidos e acreditar que dessa vez vai ser diferente e...
Você que eu criei sempre vai estar por aqui, e eu acho que ela é muito melhor que a original, pelo menos ela nunca me acertou de propósito, e é o que dizem, musas imaginárias nunca vão te decepcionar. Eu sempre quis te imaginar como uma dessas garotas do bob dylan, complicadas e com grandes problemas, mas seu único problema é não ter nenhum. O seu futuro está pronto e tem samambaias, um cachorro bobo e alguém burro o suficiente que nunca perceba suas mil mudanças por segundo. Não importa o que você faça, diga, beba, aprenda ou estrague. Não importa quem você beije ou engane. Seu inferno vai ser sempre esse. Todos os seus sonhos e teorias acabam em botânica, culinária, saber preparar um bom martini e ser uma dona de casa respeitável. Todas as suas teorias de como salvar o mundo são só um hobbie caro e irrelevante. E o que dói é saber que você poderia ter sido alguma coisa, mas é bem mais fácil não ser. Prefiro estar com seu fantasma.

E tem um milhão de mulheres por aí, mesmo que provisórias e que só durem umas noites, uns cafés, uns discos... Pelo menos meus erros são diferentes.

FIM

Domingo, Dezembro 07, 2008

...and just a little bit of rain

eu venho pensando que existem esses pequenos deuses que impedem que eu vire a página ou continue assistindo o filme quando as coisas começam a desabar. Primeiro foi la dolce vita que o telefone tocou e eu dei stop no momento exato em que as coisas começariam a ficar amargas. Depois foram Os Jardins de Kensington que no momento que as grandes revelações cruéis e tristes seriam feitas que eu fui acertado por uma carga absurda de trabalho e fiquei dias sem voltar ao livro. Existiriam pequenos deuses, como os pequenos demônios que atrasam os relógios ou somem com as canetas bics? Será um pequeno deus que segura meus dedos antes de dizer certas coisas, virar certas páginas ou fazer certas caretas? Será o mesmo deus que nos impede de passar da sala pro quarto, dizer as verdades tão doces que trariam tantos problemas que parecem tão impossíveis de ter uma resolução que não seja o exílio ou o suícidio? Será isso que gera essa multidão de desculpas e escolhas e opções que não levam a lugar nenhum? Que transformaram esse cliffhanger em tantas sidequests com prêmios imbecis que eu não quero nem preciso?

Alguém sopra no meu ombro que esses são os caminhos do diabo(the devil's ways, sinto o hálito morno do mississipi blues), que te tenta com pequenas recompensas e te afasta dos verdadeiros bons finais sem i woke up this morning e i never get out of these blues alive. É o demônio cartesiano clássico que te convence primeiramente que dois mais dois igual a cinco até você descobrir que não é bem assim e derrubar a primeira carta do seu castelo de certezas e vamos começar tudo de novo. É complicado pensar em real e imaginário quando todos os mortos que a gente ama jogaram essa certeza fora e nós crescemos apegados às não-certezas. Então como decidir o que é bom ou ruim pra mim, pra nós, pra história, pro cenário? Eu me lembro de que a única cidade que eu gostava e achava viva antes de te conhecer era Gotham City, agora todo canto que eu olho eu vejo personalidade e estilos e atitudes e atitudes demasiado humanas nos prédios, ruas e esquinas. Penso se você também aprendeu alguma coisa comigo, como quando eu troco a música e troco de cidade e humor junto. Agora eu ando ouvindo todss essss canções agridoces do bob dylan e do fred neil (eu sei que nem combinam) e penso se junto com meu humor e a cidade também não estou mudando a história, se eu não devia estar ouvindo bossa nova que é só saudade demais e finais felizes ou docemente tristes com chandon e outros caminhos. Mas nosso caminho parece ser sempre esse começo sem fim ou esse fim sem começo. Eu sei é que no fundo eu não me importo, fecho os olhos e agradeço seja lá quem te colocou no meu caminho (e acho que era inevitável a gente acabar se encontrando, ainda bem que nos conhecemos numa época que eu ainda podia te reconhecer quando você me emprestou aquela caneta e meu coração ficou cheio pra sempre de tinta e agora como um polvo eu jogo ela fora no papel nessas letras sem métrica e sem rima e sem vírgula pra ler sem respirar até perder o fôlego e pensar em alguma salvação que talvez nem nos interesse tanto e talvez a gente prefira viver pra sempre nesse doce inferno ou nesse céu amargo mas que tem as cores bonitas do magritte que não é o mais esperto ou talentoso, mas vai ser pra sempre o meu preferido. And i got to admit it´s gettin' better a little better all the time, desde que a gente descobriu que não precisa ser triste e pesado e tudo voltou a ser leve.

Quarta-feira, Setembro 10, 2008

em antecipação ao braço quebrado

I wanna make you cry
And sweep you off your feet.
I wanna hurt your pride
I wanna slap your face
I wanna paint your nails
I wanna make you scream
I wanna braid your hair
I wanna kiss your friends
I wanna make you laugh
I wanna dress the same
I wanna defend you
I wanna squeeze your thighs
I waana kiss your eyelids
And corrupt your dreams.
I wanna crash your car
I wanna scratch your cheeks
I wanna make you sick
I wanna sell you out
Want to expose your flaws
I wanna steal your things
I wanna show you off
I wanna tell you lies
I wanna write you books
I wanna turn you on
I wanna make you come
200 times a day
I wanna dry your tears
Every time you're sad
I wanna be what's happening
I wanna be your only friend
i wanna be your beast
i wanna make you proud
and play with your head
i wanna take you out
make you feel adored
and buy you everything
i wanna hurt you bad
make you paranoid
and say the sweetest things
i wanna help you grow
and for eternity
i wanna be you what's happening

sentado no bar ouvindo a garota dizer as palavras que já entende em português, olho você e penso o que seria se a gente já tivesse se falado todos aqueles anos que preferimos os ois lacônicos de corredor e depois vieram as outras pessoas e a geopolítica de playground e os ódios adquiridos por osmose que nunca convenceram muito mas tiveram um papel engraçado. seria eu o destinatário das suas mentiras? será que eu ia receber seus alíbis com um sorriso no rosto como ele? será que teria durado mais que uma semana e algumas mentiras? eu acho que não teria muita paciência com você não, não sem o afrodisíaco que é a culpa e a sensação de canalhice envolvida. Mesmo que a gente não faça nada, o primeiro movimento e a gente já sabe os reis que vão cair, as casas que vão ficar ocupadas e quem vai chorar no final (e que não vai ser nenhum de nós dois, afinal canalhas se entendem, não é?). "E pára de concordar comigo que eu não quero gostar de você..." E é uma liberdade danada eu não esperar de você mais doçura que me pagar uma cerveja ou rir da minha cara de incomodado e desviar a fumaça do cigarro pra outro lado. Aliás, nem isso eu esperava de você, o que já é uma ponta de decepção ver que você amoleceu. E é liberdade saber que eu nunca vou partir o coração que você não tem. Sua liberdade me faz querer estar por perto, estar com você é como estar sozinho, posso fazer o que quiser e pensar alto sem machucar ninguém. E logo você está de volta contando bobagens sobre quem já esteve por lá antes, medidas e qualidades e eu quase me sinto bem por não estar na lista, mas uns cinco minutos depois eu já iria me arrepender de ter dito isso e - falso raccord patrocinado por jack daniels e red bull - vemos ela dizer que eu posso até duvidar, mas ela vai morder, não vai deixar marca mas eu vou lembrar um bom tempo e conferindo no day after não tinha marca nenhuma mas parecia que algum músculo tinha sido tirado do lugar. então nós somos os últimos a deixar o lugar e por um momento o sol absurdamente claro parece um pouco inacreditável, eu por uns momentos achei que não seria correto te ver na luz do dia, você podia desmanchar no vento quando o primeiro raio batesse e eu pela primeira vez tive medo daquela mordida, mas em vez de comentar preferi te chamar pra tomar mais uma cerveja e alguém disse que havia um apartamento e que com certeza estariam acordado e que é sempre melhor tomar uma cerveja num horário desses num lugar mais tranquilo então bebemos mais quantas cabiam entre algumas idas ao banheiro e alguns arrependimentos e aquela sensação de. then we started to talk in a language the cab driver couldn't understand. dirty talk. e em outra língua você parece uns anos mais nova e quase ingênua. penso que talvez eu nunca te toque pra você continuar pra sempre assim, you play the bride being stripped bare, eu celibatário. você diz que nós nunca vamos tocar, eu digo que uma regra tão clara seria bem-vinda na confusão que é minha vida. breaking glass. o taxista dá voltas e voltas sem achar um caminho em que o exército não esteja bloqueando a passagem, e que acha quase romântico esse efeito encenado e essa sensação de blouson noir contra a ditadura, afinal alguma coisa tem que ser romântica, e que eu perdi a oportunidade de te comer naquele sonho estranho e você começa a falar em alemão, eu sorrio como se entendesse, sei que foi algo sujo, nem ligo, já estou pensando na outra garota que eu deixei ao ceder ao seu sorriso por ser mais fácil ou nos livros da estante e pensando se foi o certo até você dizer que não importa a história contada, ele vai acreditar na pior hipótese, eu sorrio, você vai embora sem olhar pra trás e eu sei que nunca mais vou te ver se eu passar a me importar com isso, mas como nenhum de nós dois se importa eu sei que os gênios trágicos e ruins vão acabar te arrastando pra mesma ponta do balcão e eu vou sorrir e te oferecer uma cerveja, em vez de ficar aqui imaginando por que ruas você anda e em que cinemas me esquece, que você deve é estar vendo tela quente e imaginando em que ruas eu ando e...

Terça-feira, Agosto 26, 2008

I've been donating
Time to review
All the misinterpretations
That define me and you




Eu prometi que nunca mais ia escrever aqui quando você foi embora deixando aquilo no meu colo como se fosse um animalzinho morto e sem dar nenhuma explicação. Quis ficar burro, começar a fumar, ter daquelas garrafas de alumínio com uísque pra sempre que a realidade ficasse pesada. Sonhei que ia me matar e a corda arrependeu e eu fiquei me achando meio ridículo. Andei um milhão de passos embaixo do sol com um sorvete que não descia escorrendo entre os dedos. Quis viver na época que ainda era possível roubar o louvre sem se preocupar com um milhão de raios laser. Quis ser feliz pra provar que você estava certa, quis ser triste pra provar que você estava errada. Quis sumir pra você nunca saber, o que é sempre pior, pelo menos eu acho. Me vi velho, me vi morrendo, me vi astronauta, me vi desejando que a bomba atômica varresse essa cidade e só deixasse nossas sombras alongadas como um último abraço embaixo do poste de luz sepia da sua casa que só existe na minha memória. Vi o fogo e quis que todas as metáforas morressem. Senti o fogo do meu estômago até a garganta e a cabeça pesada. Quis te contar da pintura do matisse que ficou dias e dias exposta ao contrário no museu e ninguém percebeu. Quis te mostrar uma frase bonita do Cocteau e descobrir se eu tinha entendido Le verbe aimer est un des plus difficile à conjuguer: son passé n’est pas simple, son présent n’est qu’indicatif et son futur est toujours conditionnel... quis te fotografar com o sol caindo, quis te fotografar em cima da grama verde com neblina em volta e uma lanterna náutica. Queimei livros, destruí memórias, revi filmes torcendo pro outro lado, decidi as músicas que eram suas e eu nunca ia poder ouvir de novo. Lembrei de alguém que me disse que todas as histórias, filmes, livros do mundo são sobre voltar pra casa. Lembrei que achei isso idiota até que sem você eu percebi o que era o exílio. Vivi um milhão de anos em um dia e o vazio crescendo. Quis saber quanto tempo tinha passado pra você. Quis saber o que você sentia. Quis te dizer que eu entendo, sorrir e ficar. Um milhão de anos depois você voltou com um sorriso me perguntando alguma coisa que eu nem lembro. A única coisa que nunca mudou foi a valsa. Quis ter dito a tempo que era pra você. Quis saber porque sempre parece cedo ou tarde demais pra qualquer começo feliz.

Acho que eu vou gostar de escrever pra sempre, mesmo que o jeito que você lê nem sempre seja o que eu quero e mesmo que amanhã tudo mude, desde que você esteja aqui.

Sábado, Maio 24, 2008

Enthusiasm For Life Defeats Existential Fear

(só pra tirar a tristeza do topo)

Last night I had a horrible dream
But the sunrise in the morning
Came and burned it all away

Last night I had a horrible dream
But your smile in the morning
Came and took it all away.


eu fico aqui tentando ficar triste pra ver se o tempo passa mais rápido. Que ficar triste é coisa que eu costumava fazer bem antigamente então a gente acaba sempre voltando pros territórios seguros e zonas de conforto. Mas aí eu deito no sofá com um livro no colo, aquelas músicas no fone e lembro de quando você abaixa a cabeça no meu ombro depois que cansa de gargalhar ou então de todo o tempo que a gente passa falando sobre nada ou até das suas bolinhas de stress e ansiedade e de repente tô feliz e com aquela sensação de que as coisas vão durar e que não importa se eu te vejo tão pouco já que vão ser milhares de semanas e na soma final vai dar alguns milhões de horas (o suficiente pra tirar um brevê, ou até pra ser piloto da nasa, assim) and what would we'd be without wishful thinking. Então volto pras questões do dia do tipo que horas vou dar uma volta sem rumo pela cidade ou que horas vou deixar a preguiça de lado e usar o papel que comprei pra colar stickers pela cidade e você vai rir quando ler isso mas é verdade, depois te mostro as fotos.

Sábado, Maio 17, 2008

linhas bobas

Yeah, I was a postcard, I was a record
I was a camera until I went blind
And now I am riding all over this island
Looking for something to open my eyes
But I still sing glory from a high rise
And I will say thanks if you’re pouring my drinks
While the world waits for an explosion
That moment in time when we'll be set free

So don’t stay mad, just let some time pass
And in the morning you’ll wake feeling new
And if I don’t come back
I mean, if I get sidetracked
It’s only cause I wanted to
I'm keeping up with the moon on an all night avenue



Sentado sozinho na frente da tela em branco, penso o que essa gripe está tentando me ensinar e o que o meu corpo está querendo dizer com isso. Eu odeio a sensação de imobilidade e de não poder estar por perto e não poder fazer diferença nenhuma em nada. Queria te apertar e te abraçar e dizer coisas bobas bem perto do seu rosto sem ter que me preocupar com suas amigdalas e se você também se resfria fácil. A verdade é que mesmo sem gripe eu não posso estar por perto o quanto quero. Eu queria entender o que leva a gente a estar tão perto e ao mesmo tempo tão inconstante. Eu queria achar os intervalos bonitos igual acho bonitos os silêncios no chet baker ou os planos gigantes e lentíssimos naqueles filmes que eu fico um tempão perdido no seu rosto e quando volto pra tela ainda não aconteceu muita coisa. Mas com você eu tenho medo dos contrastes e das ausências. Era tão fácil aceitar a mudança em tudo quando todo mundo era igualmente sem-graça, é só você chegar e qualquer rudimento de desapego zen desaparece. Eu perco minha frieza e despreocupação, como as crianças que quando se esconde o rosto acham que você sumiu/nunca existiu/foi embora. Eu preciso ver sua risada, preciso ouvir seu rosto e preciso sentir sua voz. Eu tenho medo de que você enjoe, que você vá embora, que você se chateie e vá procurar um lugar melhor e outras criatividades. As linhas dos livros se embaralham e eu deixo a comida esfriar enquanto espero você voltar. Eu acendo as luzes, lavo os copos, ligo a tv, abro as persianas, jogo tetris, leio revistas velhas, clico em mil lugares e nada. Queria não ter que te ver em horários definidos. Preciso de você umas vintecinco vezes por dia, e isso dura mais ou menos uma hora. Na realidade queria que fosse só abrir o olho ou virar o pescoço uns quarenta e cinco graus e já ter você na visão periférica. Preciso de você aqui pro mundo ser suportável e eu ter vontade de escrever, dançar, cozinhar, ler, cantar sem que essas coisas sejam só o estofamento que separa os encontros e despedidas. Queria saber lidar com as fases e ciclos, respirar fundo, construir máquinas enquanto espero um dia em que tudo vai ser melhor e eu não vou ter que preencher esses cheques em branco da ausência com o nome de todos livros e músicas e filmes do mundo e ainda sobrar tanto vazio.Mas é tudo tão impossível de entender. Nada é simples quando eu estou com o nariz entupido. Já que a lógica não funciona mesmo, agora eu vou abrir o sorvete de limão, tocar a música que me fez lembrar de você ontem e fazer acordos pra que os dias passem rápido se for pra você entrar pela porta e que não passem nunca se for pra você ir embora no final. E repetir mil vezes que você volta, mesmo não sabendo se é verdade e sem argumentos lógicos pra convencer a mim mesmo, e olha que eu estou louco pra acreditar.

Sábado, Abril 19, 2008

arrastando os móveis e tirando a poeira

"A tua presença entra pelos sete buracos da minha cabeça
A tua presença
Pelos olhos, boca, narinas e orelhas
A tua presença
Paralisa meu momento em que tudo começa
A tua presença
Desintegra e atualiza a minha presença
A tua presença
Envolve o meu tronco, meus braços e minhas pernas
A tua presença
É branca, verde, vermelha, azul e amarela
A tua presença
Transborda pelas portas e pelas janelas
A tua presença
Silencia os automóveis e as motocicletas
A tua presença
Se espalha no campo derrubando as cercas"


estamos em 2008 ainda? Tem hora que parece que a gente tomou um desvio e foi parar em algum outro lugar e espaço. Tem dia que é a vida de repente dá lugar a um sonho de buñuel, ou de padaria, que é bom também. De repente tudo é símbolo e totem e segurar sua mão entre as mesas é tão importante quanto a rotação da terra e memorizar as marquinhas do seu rosto é um passo essencial para garantir que a lua não vá se desprender da terra e sumir daqui. A vida tem se dividido em semanas, com dias de você e o espaço em volta (pense em um átomo de hidrogênio, com toda aquela solidão imensa entre o núcleo e o elétron, que esse é o tamanho do...) Aqui não vamos falar de translação que tem essa hipótese do tempo circular, os dias tem ganhado consistência e cheiro de casaco guardado no armário pro primeiro dia de inverno (falar de estações não faz sentido também, mas licença poética já que o inverno é tão...) que a manhã vai lavar tudo e então tudo é permitido e nada tem o gosto duro de tinta marcada e sequência cronológica que os autores ruins se obrigam, que os melhores livros não tem isso de contar do jeito que aconteceu e muito menos na ordem. Mas será que escrever pode balançar essa ordem? Eu devia manter o trato de não quebrar o silêncio enquanto ele fosse gostoso? Será que a caneta é a maçã que vai tirar a gente desse edén do tempo circular? Será que é alguma outra coisa? Será que isso é bom? Viver os mesmos dias em seu preço, claro. Nós nunca vamos envelhecer, mas vamos esperar pra sempre o filme novo com a kirsten ou os discos que iam sair semana que vem. Fica o trato que vale a pena e vamos só deixar o inverno chegar praquele casaco não ter sido à toa e que sempre vai ter sorrisos matinais e alguma conversa sem sentido no ouvido só pra tocar sua maçã (agora a do rosto) enquanto o sono não vem ou eu não admito que ele já veio faz tempo, só quero ficar mais um pouco e voltar pra casa ouvindo as músicas que você escolhe e ainda não sabe. Cuida pra que tudo continue leve e bonito assim, que sua presença já preencheu demais até a minha sala e eu não quero que só brilhe pela ausência.

p.s.: quando vamos sair pra dançar?

Quarta-feira, Dezembro 12, 2007

You Don't Know What Love Is (You Just Do What You're Told)

There's bourbon on the breath
Of the singer you love so much
He takes all his words from the books
That you don't read anyway

Com o tempo você aprende que quando começa a escrever sobre amor é que ele já morreu faz tempo. Tudo que já foi escrito sobre amor é carta de despedida, epitáfio, recitação pra invocar zumbis, últimos pedidos, conversa sem-sentido pra esperar a saideira. É tudo sobre quem deixa quem e na primeira frase sempre está o final, como numa imagem de mandelbrot que com qualquer pedaço você cria a imagem inteira. Como você é burra e não sabe quem foi mandelbrot, te digo que é igual filme ruim feito pra tv que a gente já sabe o final antes de começar. Se você realmente acreditasse, estaria quieta e não esperando o mundo confirmar e reconfirmar o quanto o amor de vocês é bonito e como eles deviam fazer filmes, cantar músicas sobre isso and all that jazz. Acontece que no momento que se escreve sobre, você dá instrumentos pro outro lado medir o tamanho do amor que sente (mal-entendido ou não) e aí começa o verdadeiro inferno, que se a balança pesa mais pra um lado, acabou. Quando amor é só mercadoria, acaba nisso, regras simples de oferta e procura. that's what the blues is all about.

Obviamente eu estou mentindo. É possível se escrever sobre o amor também antes do primeiro beijo, quando as coisas ainda podem ser imaginadas e quando você ainda quer realmente acreditar que ela viu todos esses filmes, leu todos esses livros e tem tantas sacadas espertas originais, você até empresta uns livros achando que alguém te entende. Mas no fundo é sempre a mesma eterna negociação de interesses e "então vocês chamam azul de vermelho por aqui, então podemos entender por metáfora/associação". Eu não quero ser entendido por metáfora nem merda nenhuma, eu quero ser entendido pelo formato das minhas sobrancelhas ou pelo barulho da minha respiração. Eu só vou acreditar num amor que possa durar quando eu começar a fazer arquitetura, desenho, filmes mudos ou fotografia. Qualquer pessoa que pretende colocar o que sente no papel só quer tentar transformar algo feio e egoísta em mercadoria e é tão mentiroso quanto remédios com sabor de bala que na hora que encostam na garganta mostram o verdadeiro sabor. Escritores são mentirosos, todos. Não existe algo como cantar sobre amor em paz e ser sincero. Os caras da bossa nova só queriam comer alguém. E você não sabe o que é amor, você sabe o que é conveniente pra você e que palavras todo mundo diz desde que os trovadores queriam alguém que não deviam querer e resolveram inventar isso de colocar uma mulher acima de deus/estado/laços fraternos. Eu não quero esse tipo de amor. Eu quero garotas que não quebrem tão fácil. Eu quero morrer no final do filme enquanto ainda dá pra ser herói, porque depois do final feliz só resta pular a cerca e procurar a princesa encantada do reino vizinho, jovem parsifal. Eu só gosto das histórias porque elas são bonitas e eu ainda não sou feliz, e as suas histórias são chatas e nem tem nada pra roubar. You bore me to death.

Sábado, Outubro 20, 2007

queimar pontes é a coisa mais triste do mundo, mas é melhor destruir do que criar coisas sem motivo.

I've got a box full of letters
Think you might like to read
Some things that you might like to see
But they're all addressed to me
I wish I had a lotta answers
'Cause that's the way it should be
For all these questions
Being directed at me

E no final você sempre precisou mesmo foi de alguém mais burro que não perceba suas variações de humor e não saiba ler seus gestos e que aceite cegamente quando você diz que está tudo ok e não vê que quando você respira desse jeito, com os ombros mexendo devagar, não está nada bem e você está muito brava e que quando você passa os dedos atrás da orelha é porque ainda falta alguma coisa e você quer sim a sobremesa e ouvir que não vai fazer diferença, não está gorda e nunca esteve tão bonita.
Mas sempre foi assim, toda mulher que me deixa logo vai procurar o cara mais bidimensional possível. Acho que tenho o dom de deixar as pessoas cansadas com esse negócio de não aceitar meio-termo, ou está comigo e aceita assaltar bancos e bombardear países imaginários ou não está. Não suporto ninguém encostado no umbral decidindo se entra ou não e às vezes te puxo pela mão forte demais e você cai e machuca o joelho mas você nem liga pro machucado, você até gosta de ser mimada por uma coisinha que qualquer band-aid tampa.
Há um tempo atrás eu mal sabia o que era um band-aid, mas ando meio hipocondríaco de uns tempos pra cá desde que eu tive aquela virose estranha e ninguém veio me visitar e eu fiquei pensando que se eu morresse de repente o mundo seguiria e ninguém daria muita falta não, então é hora de cuidar da saúde já que só eu me importo mesmo em continuar aqui. Talvez eu tenha Síndrome de Asperger, andei pensando nisso. Eu não consigo ter empatia pelos outros. Quase sempre eu tenho mais pena de um livro que acaba na hora errada ou um filme que poderia ter se salvado do que de uma vida que acaba na hora errada ou uma pessoa que poderia ter se salvado. Não sei, o Grant Morrison que falou que o Reed Richards do Quarteto Fantástico tem, e eu me acho parecido com ele um pouco. Talvez isso seja só desculpa pra eu ser insensível. Mas eu não sou insensível, só não tenho essa mania de olhar para trás, o que é bom de um lado mas por outro faz com que eu acabe cometendo o mesmo erro várias vezes, só muda o corte do seu cabelo e o seu nome, as histórias são iguais. Eu sou sempre o culpado e sempre deixei alguma conta a pagar. Ou você diz isso só pra ainda ter o que dizer sobre o assunto. No fundo eu sei que não tenho obrigação nenhuma, eu posso escolher ser um cretino ou um cara legal e o karma não está lá fora pra me pegar. Não quero me constranger com o certo ou o errado, só quero saber do que minha vontade manda e pronto. Eu até poderia me importar com os outros, mas quase todo mundo sempre está estragando meus diálogos, meus planos e improvisando irritantemente, já que se mudassem pra melhor eu não ligava, mas sempre é uma versão inferior e esteriotipada. Não que eu queira ser diretor da minha própria vida, mas coisas como trilha sonora e você saber as respostas certas e as palavras bonitas não são negociáveis e é por isso que eu acho que vou continuar no monólogo até o fim e nunca vou saber o que é escrever à quatro mãos. E sim, eu percebo a ironia disso tudo.

Domingo, Julho 08, 2007

l'amour à vingt ans

I hate it here
When you’re gone
I hate it
I hate it here
When you’re gone

I try to stay busy
I take out the trash, I sweep the floor
Try to keep myself occupied
Cause I know you don’t live here anymore

eu quero ser feliz e responsável mais esperto bonito e inteligente e acreditar em pensamento positivo e isso funciona por alguns momentos até eu sentir sua falta e isso me acertar como se fosse um chevrolet vermelho a 220 quilômetros por hora e eu ver a bagunça que eu tô e a falta de rumo e gosto e todo mundo diz pra eu ficar quieto e feliz que a vida é boa demais mas como fazer isso se está escrito na minha testa que eu sou perfeitamente incurável de b. e ficar aqui inventando romances que não duram nem 3 dias e eu tô vendo os filmes que eu acho que você veria e comprando os livros que eu acredito que você ia ler e cada dia ficando mais perto de você mas mesmo assim não te vejo mais e você está longe e você nunca atende o telefone quando eu estou bêbado o suficiente pra te ligar e você esteve aqui por tão pouco tempo mas fez uma bagunça que nada agora consegue ser tão bom e tudo que eu quero é pegar um ônibus e aparecer aí just to say hi e eu sou só seu pirralho bobo ainda e suas tatuagens e pintinhas ficaram marcadas na minha retina e são elas que estão lá toda vez que eu fecho meus olhos então volte aqui porque eu não aguento mais falar sozinho e tentar imaginar suas respostas.

Segunda-feira, Junho 11, 2007

stop (the clock).

will you kiss me again so i can pretend we're kissing for the first time?
because when we kissed for the first time i was distracted.
i couldn't believe it was true that i was truly really finally kissing you.
will you hug me again so i can pretend we're embracing for the first time?
cause when you held me for the first time i lost my senses.
i couldn't believe it was real.
inside i was laughing and dancing like peppermint eels.

e tem isso de as coisas de repente mudando e esse silêncio e esse olhar sem saber o que dizer, mas é o tipo de coisa que a gente acaba sentindo falta uma hora ou outra. Me lembra um pouco quando comprei um peixe dourado e na hora de colocar ele no aquário tem que tomar cuidado até a água aclimatar e ele fica lá um tempo, quietinho, esperando acostumar com a situação. E só resta esperar e sorrir enquanto você deita no meu peito e eu sinto meu estômago ronronar de leve e torço pra você não ouvir e penso se você está gostando, se vai durar, se eu digo a palavra errada. E prevejo todas as brigas, no meu pessimismo eterno, e se vou estragar tudo de novo por não ter paciência e querer pular etapas e tem o tempo e as circunstâncias e tudo o mais que nunca se sabe o que pode acontecer, eu atravessando a rua e alguma coisa depressa demais acaba com a história inteira e será que você está gostando da música e seu cheiro é bom e você sorri e eu torço pro peixinho dourado sobreviver dessa vez que ele já passou por tanta chateação e alguma coisa boa pra variar seria uma boa surpresa.

Mas os peixes tem memória curta e em 15 segundos eu já estou olhando pra você e descobrindo que todas as outras horas vão ser um estofo inútil de ler coisas, ver coisas, ouvir coisas só pra distrair e te contar depois porque o tempo tem essa coisa de ser relativo só quando eu não quero e com você por aqui 60 segundos são 60 segundos e se contente com isso e quando você vai embora parece que cabe o Ulisses do Joyce inteiro em 5 minutos. Mas o peixinho dourado vai sobreviver e mesmo que não ele está feliz só da água estar quentinha e você sorrir tão bonito e só resta mesmo é esperar e sorrir mesmo que paciência nunca tenha sido o meu forte e não reste muitas unhas pra roer nem livros na estante.

Sábado, Junho 09, 2007

universo em desencanto

Desencanto é uma coisa engraçada. E por engraçado vocês entendam que eu quero dizer qualquer coisa menos engraçado. Não sei se você já ouviu falar, mas na idade medieval existiam os bestiários, que eram uns livrinhos geniais escritos quase sempre por monges, com descrições de animais, suas cores, hábitos e formas. Só que os monges não saíam muito de casa então apoiavam seus relatos em terceiros. Então nesse telefone sem fio animais nada fantásticos acabavam recebendo descrições deliciosamente estúpidas, exageradas e irreais. E animais fantásticos como fênix (como é o plural disso, meu deus?) e unicórnios apareciam com freqüência com descrições corriqueiras.

Então você imagina a decepção que era você ouvir falar de um rinoceronte a vida inteira e chegar lá e ver aquele "bichinho" corriqueiro. Você estava virando meu rinoceronte de bestiário. Tudo sobre você parecia maior, mais legal e mais divertido. Até que de repente bate aquele momento e eu percebo que isso tudo é um rinoceronte igual a todos do mundo e não tem nada de raro nem especial, é só a história mais velha do mundo. Na hora dói, mas depois você percebe que o mundo tem tantos bichos e cores e formas e a vida é cheia de possibilidades e tudo vai bem por aqui.

Quinta-feira, Junho 07, 2007

vontade de raspar a cabeça ou nunca mais fazer a barba ou qualquer coisa pra disfarçar e quando os problemas aparecerem dizer que não sou o matheus não, só um cara parecido com ele mas que pra mim a vida é bem boa e eles devem estar se confundindo e passar bem.

Segunda-feira, Maio 28, 2007

stop.

eu não estou pronto pra guerra. toda guerra é feita por motivos estúpidos e acaba gastando muito mais recursos e esforço do que o motivo estúpido realmente vale. é tudo fetichização. não faz sentido brigar por um poço de petróleo ou umas opiniões contrárias. toda guerra é ruim. No fim, tudo que você tem que lutar por, é ruim. As coisas boas são gratuitas, espontâneas e aleatórias. Não cabe todo mundo no mundo e todos sempre querem a melhor parte, isso é óbvio. Então o que deve ser seu acaba sendo de uma maneira ou outra. a guerra é uma coisa tão idiota que chega um ponto que você nem sabe porque está lutando. eu não sei porque eu luto, não sei porque eu reclamo. será que isso de amor é só outro tipo de guerra? anda muito parecido ultimamente. eu quero paz. talvez se eu raspo a minha cabeça e vou pro tibet. ou viro cientista e vou pesquisar a cura do câncer ou um chiclete que nunca acaba o gosto. ou me tranco com uma pilha de livros e volto mais sábio. Eu só sei que eu estou cansado. E quero paz. Eu poderia estar muito mais bonito, esperto e inteligente se a gente estivesse simplesmente pulando na cama e falando besteira, mas tem todo o mundo em volta. wouldn't it be nice if we were older? Lógico que eu não vou me cansar de outras guerras, um homem precisa de coisas pra distrair pra vida passar numa velocidade não tão desconfortável. Mas não tem sentido essa guerra. Maybe if we think and wish and hope and pray it might come true. Ou então se eu ficar bom nisso de ficar quieto e não reclamar. Não há motivos pra lutar, vou ficar aqui quieto esperando a gravidade ou seus ciclos indecífraveis de translação te trazerem aqui pertinho. Prefiro acreditar nas estrelas do que na guerra. Não existe guerra elegante e sutil e eu cansei de quebrar pratos. Eu quero as coisas perfeitas, mas não preciso lutar pela minha verdade, eu posso simplesmente inventar um jeito dela funcionar. A verdade é o silêncio num solo de trompete do chet baker. E o silêncio é vencer a tentação de colocar uma coisa onde ela não deveria estar. E é isso que eu preciso, esvaziar até sobrar só o essencial, e depois esvaziar mais um pouco. Dormir sem sonhar, só ficar quietinho e o tempo passando.

Terça-feira, Maio 22, 2007

all tomorrow parties (e amanhã nunca chega)

Eu queria escrever coisas bonitas e dizer que está tudo ok, mas seria mentira. A felicidade tem mas acabou, está em qualquer lugar menos aqui. Tem sido bom de verdade voltar a programar, lá “erro e tentativa” funciona. Você erra uma vez, corrige, erra de novo, corrige e de repente começa a funcionar. E funciona pra sempre, mesmo que você faça um milhão de vezes. A vida real não, é tudo terrivelmente inseguro e ambíguo. Todo dia parece que eu acordo e as regras mudaram completamente e quando eu finalmente estou decifrando tudo. Bang. Mudou tudo de novo. E eu costumava gostar disso, dessa generosidade de significados e caminhos e words are flowing out like endless rain into a paper cup. Mas de repente as coisas não funcionam. Dizer um grande sim pras coisas e mirar bem, de olhos fechados, e atirar costumava acertar bem no alvo. A arte do arqueiro zen e bla-bla-blá. Agora não. Eu posso fazer o que eu acho certo, o que eu acho errado, o que é certo “de verdade”, o que é errado “de verdade” e no outro dia parece que apertando o grande botão de reset da existência e eu tenho que começar todo mundo. E o Camus - o backstreet boy do existencialismo – ainda teve a idiotice de dizer que Prometeu gostava de carregar a pedra até lá em cima e cair. Só se ele fosse masoquista. Nem se ele fosse masoquista, na realidade. Não tem inferno maior que estar num ciclo eterno de qualquer coisa, mesmo que existam momentos bons dentro do ciclo. E o que piora a sensação é ainda a certeza de que esticando mais um pouquinho o braço eu chegaria ao final, e de repente eu estou no começo de novo e todas as esquinas pela frente. Um dia eu acordo e sorrio e digo tudo ok vamos lá, outro dia eu nem quero sair da cama, já sabendo como vai tudo acabar. A única coisa que muda no labirinto sou eu. Mais velho, mais cansado e nem por isso mais esperto. That’s what the blues is all about. Se eu saísse por aí tocando trompete ou escrevesse um livro ainda estaria tudo ok, mas eu só durmo demais, rôo unhas, procuro saída nas mesmas músicas, respiro fundo e vou lá beber mais um copo.

Sexta-feira, Abril 20, 2007

OLD.

isso é velho, achei no meu e-mail, 10 de setembro de 2006, numa época particularmente desinspirada tentando escrever "ficção". Não vou nem reler pra não ficar com vergonha de postar.


É impressionante como sexo às vezes pode ser um saco. Quer dizer, sexo em si nunca é um saco. Se eu pudesse editar a vida eu cortaria todos os diálogos e deixaria só as cenas de sexo. A vida real parece, em quase todos os aspectos, com um filme made for tv. E acordar com uma ressaca filhadaputa em um quarto que você não conhece e com amnésia alcoólica e não lembrar se usei camisinha é um saco. Tentar não acordar a garota e escapar de seus braços enquanto engatinho pelo quarto, tropeçando em lingerie para encontrar meus óculos é um saco.


Quando eu os encontro embaixo da cama e tudo deixa de ficar embaçado eu percebo que estou em um quarto igual todos os quartos de garotas-que-moram-sozinhas que eu já estive na vida. E que a garota ao lado é linda, do tipo que eu provavelmente me apaixonaria com esse cabelo curto e traços de anorexia. Provavelmente eu decidi usando minha lógica bêbada noite passada que ela não era a garota da minha vida porque ela fumava marlboros e não lucky strikes. Isso não deveria importar porque eu só fumo eventualmente, mas tenho certeza que no momento fazia todo o sentido do mundo. Talvez ela seja uma garota maravilhosa que ama elvis, jesus e seus pais mas no momento tudo que me importa é conseguir me enfiar nesses jeans apertados sem acertar acidentalmente o pé em alguma coisa quebrável e barulhenta.


Outra arte desenvolvida em anos nessa situação é essa de pegar as chaves sem fazer barulho. Um iniciante poderia acreditar que a melhor solução é pegar de leve na ponta de uma das chaves, e suavemente levantar o molho. Isso é um engano comum, uma chave começa a bater na outra e você não imagina como isso faz barulho no silêncio de um quarto escuro. Normalmente você se afoba e acaba pegando a chave rapidamente, aí, adeus qualquer chance de desaparecer sem deixar telefone ou coisa do tipo. O procedimento correto é colocar a mão em formato de concha, cobrir as chaves e fechar a mão, tentando tocar no máximo de pontos possíveis das chaves e abafando o som com a mão. Sempre funciona. Enfiar a camiseta é a parte fácil. Às vezes eu fico meio tonto na hora de enfiar o pescoço na gola, mas normalmente não acontece nada demais.


Agora é abrir a porta do quarto e torcer para não ter nenhuma colega-de-quarto mau-humorada que teve que dormir na sala por minha culpa. Não que seja algum problema e que eu vá ficar constrangido ou coisa parecida, mas eu realmente não quero ter que abrir minha boca nos próximos 15 minutos. Falando em abrir a boca, eu acho que eu deveria passar no banheiro para a profilaxia matinal básica.


Eu sou escroto o suficiente para usar a escova-de-dentes da garota, mas veja bem, pelo que supostamente nós fizemos ontem, se a vodka ainda tem os efeitos de antigamente sobre os meus fetiches, seria incoerente da parte dela sentir nojo da minha boca.

(...)

Terça-feira, Abril 10, 2007

summerteeth is back... with a vengeance.

Acabei de ver um documentário sobre o john lennon. As melhores partes são as dele com a yoko. Nunca vi maior exemplo de respeito, compromisso e amor do que os dois. John foi um dos maiores homens do século passado, um dos poucos homens de verdade que eu já "conheci". A parte que ele defende a yoko em rede nacional é a coisa mais sensata que alguém já disse na vida sobre o quanto a massa e a mídia podem ser ridículas. Eles defendendo a paz sem medo de ser piegas. Tá certo, é piegas mesmo e eu não concordo com a validade desse tipo de protesto. Mas eles queriam paz só para os dois e sacaram que o mundo não daria se não estivesse inteiro incluído no pacote. Ou eles fingem muito bem (sim, eles fingem muito bem e esse "ou" só está sendo usado na falta de uma palavra que denote mais incerteza quântica) ou eles realmente acreditavam naquilo. E não importa. Tudo que importava eram os dois. O cara mais perigoso do mundo e a garota mais estranha do japão fazendo uma piada/teatro cósmico na cara do mundo inteiro. Eu amo John. Eu amo Yoko.

E odeio todos vocês que perderam o entusiasmo. Odeio todos vocês que perderam a autenticidade. Vocês me enojam. Vocês que não vivem e preferem procurar uma carreira sólida que vocês não acreditam. Que preferem lamber sacos, sorrir pra todo mundo, concordar com tudo, criar úlceras e desavenças no quintal. Nem a tristeza de vocês é genuína. Esse blues diluído que vocês trocam por qualquer remédio que não precisam ou qualquer barra de chocolate ou qualquer alguém pra segurar a mão. Esse gostar das coisas simples e "hoje eu quero ver um filme bem levinho e esquecer do mundo". Eu gosto de gente que cutuca a ferida até a dor desistir e dar um tempo. Gosto de gente que acha de importância essencial defender seu sabor de sorvete preferido (chocolate, o clássico) e está pouco se importando se o bentinho traiu ou não traiu a capitu(traiu, óbvio). Quem acha tão divertido ficar bêbado até não sentir mais nada quanto desenvolver tendinite manuseando pilhas de vinis velhos só pra ganhar um sorriso ao encontrar um compacto do satchmo.

E de gente que saiba que os verdadeiros heróis estão mortos e que o satchmo era um deles. E o john também. Eu gosto de gente que saiba cair nas profundezas de aprender latim só por diversão, mas saiba exorcizar o siso com uma gargalhada e ir viver. Gosto de gente que não ri demais, mas quando ri é como se fosse uma cigarra e a gente fica com medo de explodir e só sobrar um exoesqueleto em sépia no sofá. De gente que ri das piadas sem graça e não entende a gargalhada do resto do cinema. Gosto das minhas pessoas esquisitas. Gosto das minhas pessoas que o resto do mundo acha um saco. As que não seguem lógica cartesiana e não tem vergonha de ligar de madrugada pra falar que lembrou o fim da piada. As que sabem dizer hoje eu não quero e não vou, mesmo que depois mudem de idéia e cheguem fingindo que nada aconteceu. A vida é bem melhor com elas e eu vi que deixa muitas que não são assim por perto. Os tempos de sorrisos acabaram, eu estou de volta. Não quero mais ter piedade com quem não merece estar por perto. Não tenho mais paciência. É hora de separar o joio do trigo. Fiquei meses escrevendo mal e com preguiça pra proteger os sentimentos das pessoas erradas. Voltei pra falar da única pessoa que realmente importa nessas horas: eu.
I'm gonna kick your door down.
Fiquem espertos.